Noticias.sapo.mz: “Empresário moçambicano conta em livro como nasceu amizade com Mandela”

Um convite para dirigir o grupo que organizou a inauguração da casa de Nelson Mandela e Graça Machel em Maputo proporcionou a Abílio Soeiro a oportunidade de se tornar amigo de uma das famílias mais respeitadas no mundo.

Hoje, o empresário moçambicano expressa o seu agradecimento ao líder histórico sul-africano e à sua esposa Graça Machel por tudo que lhe ensinaram ao longo dos 15 anos de convivência, numa obra intitulada “Obrigado Mandela”, dirigida ao prémio Nobel da Paz, que comemora hoje 95 anos.

O autor do livro, cujos resultados da venda serão destinados a organizações beneméritas, como o Hospital pediátrico Nelson Mandela, lembra em entrevista à Lusa o modo “bastante curioso” como se fez amigo do ícone mundial, cuja relação de amizade “não foi feita diretamente com ele”.

“Conheci a família Machel, que, numa abordagem, me convidou para que eu fizesse parte de um grupo que ia organizar a apresentação da sua nova casa em Moçambique. Eu fiz parte disso como diretor de protocolo deste evento”, conta Abílio Soeiro, ou “Bio” como é tratado pelo emblemático líder anti-apartheid.

E, inesperadamente, no próprio dia da apresentação, viu-o “a cerca de 30 metros de mim” de distância.

“Acenei”, relata, até porque “ninguém fica indiferente quando passa perante uma figura como o Nelson Mandela” e acrescenta: “ele também me acenou com um sorriso”.

Um sorriso que, de resto, permitiu no fim da tarde do mesmo dia, depois de acabar todo o trabalho, que Abílio Soeiro e sua esposa tivessem a oportunidade de tirar a primeira fotografia ao lado de Nelson Mandela, “um homem com caráter e valores muito fortes”, segundo o empresário.

A partir deste momento, houve vários encontros entre ambos na residência de Graça Machel e Mandela, que, aliás “volta e meia estava em Maputo”, um dos lugares mais frequentados pelo então Presidente sul-africano, o primeiro na era pós-apartheid, depois de se retirar da política.

No primeiro dia como diretor do protocolo de receção do casal, Abílio Soeiro nunca pensou que se poderia tornar tão próximo de “Madiba”, nome de clã pelo qual é carinhosamente tratado Nelson Mandela, não fosse o dia em que a família Soeiro recebeu um convite “para um almoço em privado em dezembro” do ano 2000.

“Foi a partir daí, das nossas conversas, que começa a nascer esta amizade. Foi tudo muito rápido”, apontou.

Mas, quinzenalmente, havia sempre um motivo para um café, ou qualquer evento, e mesmo que fosse familiar, os Soeiro eram convidados, lembra entusiamado.

“Acredito que ele devia gostar de todo este ambiente de que ele foi rodeado em Maputo. Ele teve um ambiente fantástico da família moçambicana”, a começar pela da esposa, Graça Machel, nascida em Moçambique, assinala.

“Portanto, quando eu falo da Graça, falo dos filhos, dos netos. Aquele calor humano que ele (Nelson Mandela) recebia era qualquer coisa de extraoridinário”, descreve.

Para Abílio Soeiro, o lado excecional do comportamento humano dos moçambicanos passava também pela forma como Nelson Mandela se fascinava pelas coisas de Moçambique, como o caranguejo recheado.

“Este era o prato preferido. Mas havia uma particularidade: sempre que ele me convidava gostava de codornizes, mas estas eram preparadas pela minha mulher, porque ela é uma exímia cozinheira. Eram os doces que a minha mulher fazia e essas codornizes. Ele deleitava-se. Comia a mão, alias, a codorniz é quase mesmo para comer a mão. Ele dizia: ´eu quero aqueles passarinhos`. Entao, lá tinha as codornizes que ele adorava. Fazia parte disso: gostar da nossa comida cá de Moçambique”, diz Abílio Soeiro.

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